TEMPO BOM, NÃO VOLTA ATRÁS…
dezembro 5, 2007
Beijoca, Emo, Bobô, Charles, André Catimba, Mário Sérgio, Osni… Esses craques viveram anos de sucesso, reconhecimento, aplausos e idolatria. Nas décadas de 70 e 80 a Bahia teve grandes ídolos, que fizeram história e deixaram boas lembranças para gerações de torcedores.
Quem não lembra das arrancadas de Beijoca, dos gols de Charles, da elegância sutil de Bobô, ou do golaço de bicicleta de Sinval. Craques que jogavam o futebol pelo amor à camisa que vestiam, já que, a “paixão nacional” não era profissionalizada como hoje. “Tenho saudades do futebol do meu tempo, de ver Bahia e Vitória entre os principais clubes do futebol brasileiro”, disse Osni, um dos “maiores” jogadores que o futebol baiano já teve e que deu alegrias às torcidas dos dois rivais.
“Eu jamais imaginei que um dia iria ver o futebol baiano na decadência em que esteve”. Lamentou Jorge San Martin, radialista esportivo. Segundo ele, o futebol baiano passou por sua pior fase. “Já acompanhei jogos memoráveis, vi a Fonte Nova com mais de cem mil torcedores, quem viu craques de verdade atuarem não consegue se conformar com esse futebol medíocre que a diretoria do Bahia nos impõe.
Thyrson, um dos ídolos do time tricolor, tenta explicar porque os clubes passaram por momentos tão ruins, “tudo isso é reflexo da má administração feita pela diretoria dos dois clubes. Para a sorte do Vitória, Paulo Carneiro foi embora, mas no Bahia, a situação é lastimável. Não tem dinheiro para pagar funcionários, jogadores, nem comissão técnica e a panelinha ta lá, dia após dia, afundando o time”.
Tempo bom que não volta atrás. Para quem viu o belo futebol jogado por esses grandes craques, ou ouviu seus pais, avós e tios falarem deles, só resta a saudade. A categoria do trio formado por Charles, Zé Carlos e Bobô, que foi campeão brasileiro em 1988 e proporcionou aos torcedores do Bahia momentos inesquecíveis, não faz mais parte da realidade do futebol baiano. “Tenho muita saudade daquele tempo, nunca mais vi um futebol como aquele”, relembrou Antônio Marcos, um senhor de 72 anos, que já acompanhou grandes jogos no estádio da Fonte Nova.
A torcida é para que a dupla Ba x Vi, que recentemente conseguiu o acesso para a segunda e primeira divisão, respectivamente, se mantenha na elite do futebol brasileiro. Afinal, o torcedor baiano merece ser feliz.
MARKETING EM PLANEJAMENTO
dezembro 4, 2007
Em menos de uma semana, cerca de cento e dez mil torcedores lotaram o estádio da Fonte Nova. O amor do torcedor ao Esporte Clube Bahia poderia ser um estímulo para o Departamento de Marketing, porém, o setor é um dos mais inoperantes dentro do Bahia, não funciona. Para o diretor de Marketing, Marco Costa, esse é um problema da gestão anterior. “Quando assumi o marketing do Bahia, não existia planejamento nenhum. Hoje, acumulo as funções de diretor financeiro e diretor de marketing e estamos trabalhando para buscar novos patrocinadores e anunciantes. No jogo contra o ABC, por exemplo, conseguimos um patrocinador exclusivo”. A maioria dos torcedores não sabe, mas o clube lançou uma loja virtual, com produtos originais do time. De acordo com Marco Costa, esse é mais um importante passo para o crescimento do clube. “Há uma grande expectativa de todos, quanto ao sucesso da loja virtual, já que sabemos da grandiosidade da torcida tricolor e da sua paixão pelo clube. Nosso site oficial tem uma média de 15.000 acessos diários e a estimativa é que o Esquadrão possua cerca de 6 milhões de torcedores. A intenção é tornar a maior parte possível desta Nação em consumidores dos produtos do Bahia.”, conclui o diretor.
Meias para celulares, camisas comemorativas, canecas e sandálias são alguns dos produtos comercializados na loja oficial do clube, porém a falta de divulgação faz com que a maior parte dos torcedores não saiba onde encontrar os produtos com a marca do time de coração. “Outro dia procurei em várias lojas pelos shoppings da cidade, um vestidinho do Bahia para a minha filha, que nasceu há dois meses, mas não encontrei em nenhum lugar, agora estou sabendo por você que na loja virtual tem uma linha exclusiva para bebês”, lamentou o administrador Fernando Vasconcelos. Como Fernando, outras centenas de torcedores buscam diariamente os produtos do clube, Marco Costa, diz que a solução para esse problema está perto de ser concretizada. “Uma loja física, como estamos chamando, será inaugurada em breve”.
As placas de publicidade do estádio da Fonte Nova poderiam ser outra fonte de renda para o clube, mas também não é bem utilizada. “Como o mando de campo do Bahia é aqui, na Fonte Nova, o clube poderia utilizar melhor esse espaço que é disponibilizado, justamente, para gerar renda”, disse, Sinval Vieira, diretor da Superintendência de Desportos da Bahia, órgão responsável pelo estádio da Fonte Nova. O departamento de marketing do Bahia não divulga os valores ganhos com a publicidade, mas o diretor Marco Costa admite que existem falhas no sistema. “Realmente, poderíamos utilizar melhor o espaço que temos na Fonte Nova. Isso, inclusive, já foi discutido entre a diretoria do clube e concordamos que vai ser preciso melhorar a divulgação”.
O sistema de divulgação é falho, mas para especialistas em marketing esportivo, essa situação pode ser revertida facilmente. “A torcida do Bahia é uma das mais fanáticas do Brasil. Se o departamento de marketing souber se planejar, em pouco tempo o setor poderá contribuir bastante para aliviar as dívidas do clube”, alertou Jessé Oliveira, proprietário de uma empresa de marketing esportivo.
Planejamento, esse é sem dúvida o maior problema do Esporte Clube Bahia. O clube vem enfrentando problemas financeiros desde a gestão de Marcelo Guimarães, que deixou a presidência do clube logo depois do rebaixamento do Bahia para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Petrônio Barradas substituiu Marcelo Guimarães, mas desde que assumiu o cargo de presidente, ainda não conseguiu aliviar as contas do clube. Entre o quadro de funcionários, alguns não recebem salário há mais de um ano. “Com tantos problemas administrativos e financeiros, o marketing do Bahia acabou sendo deixado de lado, mas o diretor Marco Costa está tentando buscar estratégias para melhorar a publicidade do clube. Agora, sem dúvida o melhor viés é ir para o lado do torcedor, que é extremamente fiel ao time. “Poderiam ser lançadas campanhas para que o torcedor pudesse contribuir com o clube, por exemplo, compre sua camisa na loja do Bahia e contribua com o seu time, esse é um exemplo simples, mas se tiver planejamento, muita coisa pode ser feita”, alertou Jessé.
UM CASO DE AMOR E ÓDIO
dezembro 4, 2007
“Eu adoro morar aqui, os shows são sempre muito bons, venho sempre que posso”, disse a estudante Mariana Oliveira, moradora do Garcia. Porém, para a dona-de-casa Joana França, ser vizinha da Concha acústica é um verdadeiro martírio. “Fico rezando para que não tenha shows aqui, tudo vira um inferno, não consigo entrar em casa por causa do engarrafamento e o barulho me incomoda muito. Quem mora no Garcia pode ter o prazer, ou o desprazer, de ter como vizinha a concha acústica do Teatro Castro Alves de Salvador.
Entregue ao público em julho de 1958, como parte do “Complexo Cultural Teatro Castro Alves”, a Concha Acústica desenvolveu algumas atividades antes mesmo do teatro ser inaugurado. De 1958 a 1967, período de reconstrução do TCA, destruído pelo fogo na semana da inauguração, a Concha foi palco de poucos eventos e não teve uma programação sistemática. Os shows começam a se intensificar a partir de 1967. Na década de 70, a Concha se consolida como o grande espaço cultural alternativo de Salvador, com espetáculos que marcaram época na história da Música Popular Brasileira. Em 1980 foi fechada para nova reforma. A reabertura aconteceu em 1988. Novas obras, até a reabertura em 1991. As últimas mudanças, realizadas em dezembro de 1997, mantiveram a forma de semi-arena ao ar livre. O palco e a parte plana superior da platéia foram cobertos por uma lona especial tensionada, fixada numa estrutura metálica. Assim, o equipamento permite a realização de shows mesmo em período chuvoso. Além disso, foram disponibilizados seis camarotes, com capacidade para 120 pessoas no total.
A Concha é uma das poucas casas de shows que existem em Salvador, já que, a maior parte delas, tornou-se prostíbulos, ou foi comprada por empresários que transformaram uma casa de espetáculo, em um restaurante, bar, ou algo desse tipo. “Sempre respeitamos os horários dos moradores do Garcia, tanto que os shows que acontecem seja, na Concha Acústica, ou no próprio Teatro Castro Alves, começam no horário marcado, exatamente para terminar cedo. Sabemos que as pessoas tem horários a cumprir, e o som alto, pode resultar em uma noite perdida. Disse Alex, assessor de imprensa da Concha Acústica.
Alguns dos melhores shows de música de Salvador são realizados na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Os principais artistas e bandas da música brasileira já passaram pelo palco, que existe desde 1958 e se tornou o mais tradicional da cidade. Com um programa do governo que troca notas fiscais por ingressos, a concha popularizou-se ainda mais nos shows de toda sexta-feira à tardinha. Apesar do aparato acústico singular, os shows na Concha têm que acabar cedo por causa da área residencial em volta.
CARNAVAL DE SALVADOR FOI LANÇADO OFICIALMENTE
dezembro 4, 2007
O coração do mundo bate aqui. Esse é o tema do carnaval 2008. Na ultima segunda-feira (03/12) foi feito o lançamento oficial da maior festa popular do mundo. No ano que vem, a folia vai homenagear a capoeira, Mestre João Pequeno (capoeira Angola) e Mestre Dr. Decânio (capoeira regional) serão os símbolos do Carnaval de Salvador. O cantor e compositor, Tonho Matéria, que também é mestre de capoeira, está organizando as apresentações de dança. “Eu estou completamente envolvido, me dei totalmente para esse projeto e espero que seja uma festa linda, com muita paz e harmonia entre todos.
De 31 de Janeiro a 05 de Fevereiro, mais de dois milhões de pessoas devem passar pelo circuito Dodô (Barra-Ondina), Osmar (Campo Grande) e Batatinha. Existe a proposta de ligar o percurso do Centro Histórico até o Pelourinho. “ Estou pensando em fazer uma mudança e começar o circuito Batatinha no Pelourinho, mas isso ainda está sendo estudado, disse Márcio Meireles, secretário estadual de cultura.
A novidade para o carnaval de 2008 vai ser a incorporação da festa de Iemanjá à folia, a programação vai ser comandada pelo músico Carlinhos Brown. Já está definido que vários palcos vão ser montados nas ruas do Rio Vermelho. Sábado de carnaval vai ser 2 de fevereiro. De acordo com Misael Tavares, president5e da EMTURSA, órgão responsável pelo carnaval, a tradição da festa de Iemanjá vai ser mantida. “É importante salientar que não vai ter nenhum tipo de trio elétrico, ou mini-trio nas ruas do Rio Vermelho, a festa de Iemanjá será a mesma de todos os anos. Só não podemos ignorar a coincidência que aconteceu.
Misael Tavares disse ainda, que “desta vez o Carnaval de Salvador marca ainda a mudança no processo de captação de recursos que desta vez foi entregue, através de licitação pública, a consórcio formado pelas agências OCP de Salvador e Tudo Eventos e Conteúdo, integrantes do Grupo YPY, do publicitário Nizan Guanaes. Para ele, “esse novo modelo de gestão vai nos possibilitar um trabalho mais profissional e objetivo”. Revelou que nesses três meses à frente da Emtursa, “buscamos uma nova forma de gestão, atraindo mais apoio à iniciativa privada que possamos trabalhar gradativamente sem que a Prefeitura lance mão do dinheiro público”.
Nos bairros, a Prefeitura vai realizar festas em Cajazeiras, onde na quinta-feira, dia 31 de janeiro, está marcada a entrega das chaves da cidade ao rei Momo e recepção das princesas e rainha, com shows de Elaine e Banda Motumbá. Haverá folia também em Periperi, Itapuã, Liberdade, Plataforma e Pau da Lima e nas ilhas – de Maré, Frades e Bom Jesus dos Passos.
O prefeito João Henrique, que também compareceu ao evento de lançamento, gostou do que viu, “ eu fiquei até surpreso com tudo o que foi apresentado aqui. Mais uma vez o carnaval da Bahia vai ser um sucesso”. Os artistas também aguardam com ansiedade o início da festa, “agora com o novo projeto da Tribahia vamos vir com tudo”, disse a cantora Carla Cristina.